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Viagens-pelo-Mundo

6/05/2007

OS PROCESSOS DA CASA PIA E APITO DOURADO E FINAL



A JUSTIÇA PORTUGUESA
A JUSTIÇA PORTUGUESA
A JUSTIÇA PORTUGUESA
PORTUGUESE JUSTICE
PORTUGUESE JUSTICE
PORTUGUESE JUSTICE

Dra. Maria José Morgado
Procuradora especial


Dr. Pinto Monteiro
Procurador-geral da República


Dr. Souto Moura
Ex-procurador geral da República
O PROCESSO DA CASA PIA
O PROCESSO DA CASA POA
O PROCESSO DA CASA PIA
CASA PIA PROCESS
CASA PIA PROCESS
CASA PIA PROCESS



Dr. Manuel Abrantes
Ex-provedor da Casa Pia

Carlos Silvino (BIbi)


Carlos Cruz


Dr. Paulo Pedroso


Dr. Ferro Rodrigues


Dr. Hugo Marçal


Embaixador Dr. Jorge Ritto
O PROCESSO DO APITO DOURADO
O PROCESSO DO APITO DOURADO
O PROCESSO DO APITO DOURADO
THE PROCESS OF THE GOLDEN WHISTLE
THE PROCESS OF THE GOLDEN WHISTLE
THE PROCESS OF THE GOLGEN WHISTLE


Jacinto Paixão


Pinto de Sousa


Pinto da Costa


Carolina Salgado

Carolina Salgado e Pinto da Costa


Major Valentom Loureiro


Dr. João Loureiro


A JUSTIÇA PORTUGUESA E
OS PROCESSOS DA CASA PIA
E DO APITO DOURADO
(PRIMEIRA PARTE)

A justiça portuguesa é uma justiça que infelizmente nos envergonha. Mais parece a justiça de um país do terceiro mundo do que a justiça de um país integrado na União Europeia. É verdade que há alguns sinais de melhoria em relação a um passado próximo, em que a situação era ainda pior. Pelo menos nos julgamentos mais recentes a figura feminina que personifica a justiça parece ter posto pela primeira vez em Portugal uma venda nos olhos. Aparentemente, a justiça portuguesa já não olha a caras e já mete ma cadeia os membros da chamada alta sociedade.
Com efeito, os processos da Casa Pia e do Apito Dourado parecem querer mostrar que os ricos e os poderosos já não estão fora da alçada da justiça, como sempre tem acontecido em Portugal. O processo da Casa Pia foi mesmo o primeiro processo português a mostrar que a justiça penal não funciona somente em relação ao mundo criminal dos membros das classes desfavorecidas.
O primeiro caso que vamos abordar é o caso do julgamento dos arguidos do processo Casa Pia. É certo que tem havido neste processo um larguíssimo estendal de iniquidades jurídicas e processuais. Nós sabemos que algumas culpas cabem às leis, ao permitirem tais iniquidades jurídicas e processuais, mas nós sabemos também, por experiência própria, que os maiores culpados destas iniquidades jurídicas e processuais são os advogados.
Na verdade, os advogados portugueses são useiros e vezeiros em usar os inúmeros truques processuais permitidos pela lei, tais como adiamentos e outras manobras dilatórias. E daí a enorme quantidade de processos que se arrastam indefinidamente ou que acabam mesmo por prescrever. Por vontade de alguns advogados portugueses quase nenhum processo chegaria o fim.
Mas, a acrescentar a tudo isto, registava-se o facto de no nosso país os processos penais normalmente nunca incomodarem as pessoas ricas e poderosas. E isto aconteceu até há bem pouco tempo, portanto aconteceu inclusivamente já durante os anos que se seguiram ao 25 de Abril, em plena vigência do regime democrático em Portugal.
É certo que no tempo da ditadura salazarista ainda era pior, já que um processo semelhante ao processo da Casa Pia, o processo dos «ballets roses», acabou em águas de bacalhau, abafado pelo Ministro da Justiça da altura, o Professor Doutor Antunes Varela, sem dúvida uma pessoa com um grande prestígio político nas hostes salazaristas e incontestavelmente um excelente jurista.
Mas aconteceu simplesmente que os indivíduos implicados no processo dos «ballets roses» eram quadros do regime de nível intermédio e até do mais alto nível e em consequência disso não convinha nada ao ministro e ao governo que a nação ficasse a saber que esses eminentes personagens, todos bons patriotas e todos frequentadores da igreja, eram pedófilos e gostavam de usufruir delícias sexuais com crianças e com meninas de menor idade.
O processo da Casa Pia é por isso mesmo um caso exemplar, pois houve a coragem de constituir como arguidos gente importante do mundo da política, do mundo da diplomacia, do mundo da televisão e gente graúda da própria Casa Pia. É o caso do ministro e deputado do Partido Socialista Dr. Paulo Pedroso, que não chegou a ser acusado, mas que passou muito tempo em prisão preventiva. É também o caso do embaixador jubilado Dr. Jorge Ritto, é o caso ainda do apresentador de programas de televisão Carlos Cruz e é o caso finalmente do advogado Dr. Hugo Marçal.
Quanto ao principal acusado, o Carlos Silvino, mais conhecido por Bibi, era motorista na Casa Pia e era praticamente desconhecido na altura do início do processo da Casa Pia. Mas agora é o mais conhecido dos réus, pois é acusado de centenas de crimes de pedofilia, todos já devidamente confessados pelo Carlos Silvino. Mas além das inúmeras relações sexuais que teve com os rapazes da Casa Pia, o Bibi também angariava os meninos da Casa Pia para os encontros com os clientes pedófilos, também arranjava o sítio para os encontros amorosos e também transportava os garotos para os locais previamente combinados.
Devido ao enorme número de crimes e à grande quantidade de acusados, o processo está a arrastar-se há muito tempo, correndo assim o risco de se chegar à fase da sentença com a maior parte dos arguidos já mortos e enterrados. Mas os problemas do processo Casa Pia não se limitam à morosidade do processo.
O que é grave neste caso da Casa Pia é que o processo foi muito mal conduzido, com sérios atropelos aos direitos dos arguidos, que penaram na prisão até quase apodrecerem. E também foi politicamente muito mal orientado, pois a certa altura mais parecia estar a proceder-se ao julgamento do Partido Socialista do que ao julgamento dos arguidos propriamente ditos.
De qualquer maneira, o processo da Casa Pia há-de ficar para a história, pois é o primeiro processo em Portugal em que a justiça está a cortar a direito, doa a quem doer. No próximo número deste jornal, continuaremos a falar da justiça portuguesa e abordaremos com o devido detalhe o processo do Apito Dourado e o mundo tenebroso do futebol.


A JUSTIÇA PORTUGUESA E
OS PROCESSOS DA CASA PIA
E DO APITO DOURADO
(SEGUNDA PARTE)

Na primeira parte do nosso artigo falámos sobre a justiça portuguesa em geral e falámos também do processo da Casa Pia. E dissemos que o processo da Casa Pia há-de ficar para a história, pois é o primeiro processo em Portugal em que a justiça está a cortar a direito, doa a quem doer. O anterior Procurador-geral da República, o Dr. Souto Moura, uma figura tão polémica e tão contestada, teve com certeza muito mérito em toda esta revolução na nossa justiça que está a constituir o processo da Casa Pia.
Hoje iremos falar principalmente do processo do Apito Dourado. E desde já convém salientar que este processo teve no início um percurso algo titubeante e mesmo ziguezagueante. E a razão disto tudo está no facto de o processo do Apito Dourado ter lugar em Portugal, pois se uma situação semelhante a esta tivesse acontecido em Itália ou em França já há muito que teria chegado o fim, com os principais acusados na prisão e os clubes beneficiados com os crimes de corrupção despromovidos e despojados dos campeonatos indevidamente ganhos.
Foi o que aconteceu com o Milão e com a Juventus em Itália, o primeiro penalizado com pontos negativos e a segunda despojada do campeonato que tinha ganho e condenada a descer para a divisão imediatamente inferior. E foi o que aconteceu igualmente em França ao Marselha, com Bernard Tapie na presidência do clube.
Com efeito, as vitórias do Marselha para o campeonato francês da Primeira Liga de futebol profissional foram obtidas através de vários esquemas de corrupção a diversos agentes desportivos e não através do esforço e do talento dos seus jogadores nos campos de jogos. Com os resultados dos jogos assim falsificados, o Marselha foi beneficiado em relação aos outros clubes.
Como era de toda a justiça, o Marselha foi despojado do seu título de vencedor do campeonato francês da primeira liga. Mas a punição não ficou por aqui, pois a UEFA despojou igualmente o Marselha do título de campeão europeu. E o presidente do Marselha, Bernard Tapie, foi julgado e condenado. Convém sublinhar que Tapie foi ministro de um governo presidido pelo Presidente da República francesa François Mitterand e foi um alto dirigente do Partido Socialista francês. Como se vê, Tapie era um homem politicamente muito importante. E era também um dos homens mais ricos da Europa.
Mas Portugal não é a França nem a Itália e nem sequer é um país medianamente credível no que se refere ao funcionamento da justiça. E assim, quando o processo do Apito Dourado estava a dar os primeiros passos, houve logo uma tentativa de o abafar, devido ao facto da maior parte das pessoas envolvidas no processo, tais como o Major Valentim Loureiro, o Dr. João Loureiro e o Dr. Pinto de Sousa, serem militantes ou serem pessoas próximas do Partido Social Democrata, que nessa altura estava no poder.
Evidentemente que não convinha ao PSD que figuras importantes do Partido Social-democrata fossem acusadas e julgadas num processo de corrupção. E daí que o governo presidido pelo Dr. Durão Barroso tenha tentado abafar o processo do Apito Dourado e tenha tentado desviar todas as atenções para o processo da Casa Pia.
E daí também que o governo do Dr. Durão Barroso tenha feito todas as pressões possíveis e imaginárias para implicar no processo da Casa Pia altas figuras do Partido Socialista, como eram na altura o Dr. Ferro Rodrigues e o Dr. Paulo Pedroso, a fim de os matar politicamente e de matar politicamente o próprio Partido Socialista.
E a verdade é que em relação a essas figuras atingiu plenamente os seus objectivos, pois essas figuras, que não chegaram a ser acusadas, ficaram politicamente muito chamuscadas, tendo sido afastadas dos cargos de maior importância e tendo perdido toda a relevância política Já o mesmo se não pode dizer em relação ao Partido Socialista, que nem sequer chegou a ser momentaneamente abalado.
Com efeito, era muito difícil matar um partido como o Partido Socialista, que é um partido de massas, com milhares de militantes, com óptimos dirigentes e com estreitas ligações internacionais aos fortíssimos partidos que fazem parte da Internacional Socialista. E a verdade é que o Partido Socialista se recompôs rapidamente e passados uns meses ganhou as eleições legislativas com maioria absoluta.
Claro que as circunstâncias também ajudaram. Deu-se por um lado a saída do Dr. Durão Barroso para o cargo de presidente da comissão da União Europeia e deu-se por outro lado o facto do governo que sucedeu ao governo do Dr. Durão Barroso, o governo do Dr. Santana Lopes, ser um governo anedótico.
Embora o facto do presidente da comissão da União Europeia ser um português seja muito honroso para Portugal, a verdade é que o Dr. Durão Barroso não honrou os seus compromissos para com os portugueses que o elegeram. E os portugueses não lhe perdoaram, com óbvias consequências para o processo do Apito Dourado, que renasceu das cinzas. No próximo número deste jornal, narraremos aos nossos leitores a história dos altos e baixos do processo do Apito Dourado.
A JUSTIÇA PORTUGUESA E
OS PROCESSOS DA CASA PIA
E DO APITO DOURADO
(TERCEIRA PARTE)

No número anterior deste jornal, falámos dos processos de corrupção desportiva no mundo do futebol que tiveram lugar em França e em Itália, com a condenação tanto quanto possível rápida de todas as pessoas envolvidas. E falámos também da tentativa de abafamento do processo de corrupção desportiva português, o processo do Apito Dourado, por parte do governo do Dr. Durão Barroso.
E descrevemos a mudança das circunstâncias políticas que entretanto teve lugar, com a saída do Dr. Durão Barroso do governo da nação, com a nomeação do Dr. Santana Lopes como primeiro-ministro, com o rápido afastamento do Dr. Santana Lopes da chefia do governo e com a posterior vitória do Partido Socialista nas últimas eleições legislativas.
E demonstrámos que foi a modificação das circunstâncias políticas que teve o condão de fazer renascer o processo do Apito Dourado. Com efeito, o processo do Apito Dourado esteve quase morto, pois o objectivo do governo social-democrata presidido pelo Dr. Durão Barroso era abafar o processo. E daí que o primeiro-ministro, Dr. Durão Barroso, tenha nomeado um homem da sua confiança, o Dr. Adelino Salvado, para o cargo de director-geral da Polícia Judiciária.
O Dr. Adelino Salvado não perdeu tempo e tratou logo de afastar a Dra. Maria José Morgado do processo do Apito Dourado. E fez ainda algumas substituições cirúrgicas na delegação do Porto da Polícia Judiciária, a fim de abafar o processo logo à partida. Aconteceu, no entanto, que o Dr. Durão Barroso deixou o cargo de primeiro-ministro para ir presidir à Comissão da União Europeia.
Esta fuga do Dr. Durão Barroso teve obviamente consequências para os processos da Casa Pia e do Apito Dourado. E teve também como consequência uma certa fragilização do o Partido Social-democrata. E essa fragilização do Partido Social-Democrata acentuou-se com o polémico, anedótico e infeliz governo do D. Santana Lopes, que enfraqueceu ainda mais o PSD.
E como na política, tal como na vida, funciona a lei das compensações, ao crescente definhamento do PSD correspondeu um crescente fortalecimento do PS. E deu-se ainda a circunstância de o Eng. José Sócrates ter sido eleito secretário-geral Partido Socialista. Ora o Eng. José Sócrates tinha sido um grande ministro e era um político de grande carisma e com grande prestígio. E foi assim que o Partido Socialista, com um líder forte e determinado e com a ajuda da fraqueza dos outros partidos, renasceu das cinzas, ganhou as eleições legislativas com maioria absoluta e passou a ter as rédeas do poder.
E coincidindo com o fortalecimento do Partido Socialista, o processo da Casa Pia deixou de incomodar o Dr. Paulo Pedroso e por arrastamento deixou de incomodar também o Dr. Ferro Rodrigues. Estes dois prestigiados políticos da nossa praça tinham sido denunciados por algumas das vítimas do processo da Casa Pia como possíveis pedófilos. O Dr. Paulo Pedroso estava preso preventivamente e foi libertado sem quaisquer condições e sem qualquer medida coerciva.
E o Dr. Ferro Rodrigues, que, ao contrário do seu amigo Paulo Pedroso, nunca chegou a ser preso, começou gradualmente a ser esquecido e deixou gradualmente de ser associado ao processo da Casa Pia. Claro que para esse apagamento do Dr. Ferro Rodrigues do processo da Casa Pia contribuiu decisivamente a sua perda de relevância como político e a sua nomeação para um cargo de embaixador decorativo no estrangeiro.
Simples coincidência ou não, a verdade é que aconteceu que essas importantes eminências do PS só se tivessem livrado de incómodos com a subida do Partido Socialista ao poder. E também aconteceu que com o Partido Socialista na mó de cima o processo do Apito Dourado ganhou novo fôlego.
Mas antes ainda da ascensão do Partido Socialista ao poder, com os sociais-democratas no governo, aconteceu igualmente que o Dr. Adelino Salvado se meteu em tais trapalhadas que foi rapidamente demitido do cargo de director-geral da Polícia Judiciária pelo Dr. Santana Lopes. O Dr. Santana Lopes foi um primeiro-ministro medíocre e ziguezagueante, mas neste caso mostrou uma coragem e uma isenção exemplares.
Parece, portanto, que os piores tempos do processo do Apito Dourado já passaram. E agora, com um Procurador-geral da República com a envergadura do Dr. Pinto Monteiro e com a Dra. Maria José Morgado como procuradora especial para o processo, podemos dizer que o processo do Apito Dourado tem pernas para andar.
Com efeito, a nomeação da Dra. Maria José Morgado é uma garantia muito importante de que se vai enfim fazer justiça no mundo nebuloso do futebol. Esperemos que o processo do Apito Dourado e o processo da Casa Pia cheguem rapidamente ao fim, pois são processos muito mediáticos, com efectivo impacto em Portugal e no estrangeiro. É que a justiça é um factor determinante no que concerne à estabilidade social. E é um pilar fundamental da democracia.
CORRUPÇÃO
NO FUTEBOL PORTUGUÊS
APITO DOURADO E APITO FINAL
Escrevemos vários artigos neste blogue sobre a corrupção no futebol português. E falámos dos títulos conquistados em anos sucessivos sempre pela mesma equipa, o Futebol Clube do Porto, das vitórias forjadas fora dos relvados e dos protagonistas destas habilidades criminosas perpetradas nos negros bastidores do futebol português. Essas pessoas foram denunciadas em devido tempo pelo então presidente do Sporting, Dr. Dias da Cunha. Com efeito, o Dr. Dias da Cunha teve a coragem de dizer que os chefes máximos dessa máfia futebolística portuguesa eram Pinto da Costa e o Major Valentim Loureiro. Este até conseguiu um título da 1ª liga para o Boavista, numa altura em que já não era presidente deste clube. No ano em que o Boavista foi campeão nacional o presidente do clube axadrezado era o filho do major, o Dr. João Loureiro. Mas ao fim e ao cabo era como se o pai fosse ainda presidente, a situação era idêntica, o filho era igual ao pai. Curiosamente, o Major Valentim Loureiro até foi condenado recentemente no foro criminal a três anos prisão, embora com a pena suspensa. Esta sentença seria suficiente, caso transitasse em julgado, para impedir que o Major Valentim Loureiro continuasse à frente da Câmara de Gondomar. No entanto, este não é talvez o cenário mais previsível, pois há recursos e recursos e a justiça em Portugal é muito lenta. O mais natural é que o Major Valentim Loureiro até se possa candidatar a outro mandato como presidente da Câmara de Gondomar.No que concerne ao outro chefe máximo da máfia futebolística portuguesa, o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, também foi recentemente condenado a dois anos de suspensão de toda a actividade desportiva. Mas Pinto da Costa foi julgado e condenado no foro desportivo, pois os processos que contra ele correm no foro criminal ainda não foram julgados. Quem tomou a decisão de condenar o presidente do Porto foi o Conselho de Justiçada Federação Portuguesa de Futebol, que assim confirmou a sentença do Conselho de Disciplina da Liga. A decisão foi controversa, pois o presidente do Conselho de Justiça, o Dr. António Gonçalves Pereira, deu a reunião por terminada antes do tempo, quando se apercebeu que a votação não seria favorável ao Boavista e a Pinto da Costa. Mas a reunião continuou sem ele e sem o vice-presidente, o Dr. Elísio da Costa Amorim, que se solidarizou com o presidente. E os cinco membros restantes votaram por unanimidade a suspensão por dois anos de Pinto da Costa e a descida de divisão do Boavista. A decisão condenatória foi aceite pela direcção da Federação Portuguesa de Futebol, que para o efeito pediu um parecer ao insigne mestre de Direito Administrativo, Professor Freitas do Amaral, que considerou não ter havido qualquer irregularidade de ordem processual na decisão tomada.A sentença do Conselho de Justiça foi imediatamente executada, não obstante o ex-presidente desse órgão, Dr. António Gonçalves Pereira, e o Boavista terem instaurado providências cautelares nos tribunais administrativos. É que a Federação Portuguesa de Futebol invocou interesse público na imediata execução da sentença, dada a proximidade da data do início das ligas profissionais.Feito o julgamento no foro desportivo, resta agora aguardar pelos julgamentos no foro criminal. Mas este julgamento no foro desportivo é uma vitória enorme para a justiça portuguesa, pois mostra que em Portugal já não há, como havia antigamente, figuras e instituições intocáveis.Para que fosse possível condenar um homem poderoso como Pinto da Costa, há que destacar a intervenção de várias pessoas e em primeiro lugar a intervenção de duas mulheres, Maria José Morgado e Carolina Salgado, que tiveram a coragem de enfrentar o indivíduo que mandava no futebol português, na Câmara Municipal do Porto e que tinha também uma grande influência nos meios políticos a nível nacional. E que além do mais parece ser um indivíduo extremamente perigoso, como o prova a agressão a Ricardo Bexiga, ex-vereador do Partido Socialista na Câmara de Gondomar. Pinto da Costa teria sido o autor moral, juntamente com Carolina Salgado, da bárbara agressão a Ricardo Bexiga. O autor material de tal agressão teria sido o sinistro Fernando Madureira, um indivíduo com passado criminal que é líder da claque dos Super Dragões. Quanto a Carolina Salgado, disse como tudo se tinha passado, confessou a sua participação no crime e pediu o estatuto de arrependida. Mas o processo de Ricardo Bexiga, onde parece ter havido negligência na investigação, acabou em águas de bacalhau por falta de provas. E os autores morais e os autores materiais de tão hediondo crime ficaram impunes. Mas a pertinácia de Maria José Morgado e de Carolina Salgado há-de dar os seus frutos. Para já, Pinto da Costa e o Futebol Clube do Porto foram condenados no foro desportivo pelo crime de tentativa de corrupção. Aguardemos agora o desenrolar dos processos em que o presidente portista é acusado pelo mesmo crime de tentativa de corrupção nos tribunais criminais.Além de Maria José Morgado e de Carolina Salgado, houve outras pessoas que tiveram uma importância enorme no combate ao imenso poder de Pinto da Costa.Há que referir em primeiro lugar a acção do actual presidente da Câmara do Porto, o Dr. Rui Rio, um autarca modelo, que é sem dúvida o melhor presidente da Câmara do país. O Dr. Rui Rio acabou com o comprometedor casamento que havia entre o município e o clube. Com efeito, os anteriores presidentes da Câmara da capital do norte, Fernando Gomes e Nuno Cardoso, eram meros vassalos do presidente portista, o que se traduzia num escandaloso favorecimento ao principal clube da cidade, que culminou com a construção, em condições moralmente chocantes para a Câmara do Porto, do Estádio do Dragão. Rui Rio herdou essa situação e teve de pactuar com a negociata entre os anteriores presidentes da Câmara, o Futebol Clube do Porto e o grupo de Américo Amorim. Mas numa primeira fase tentou defender os interesses do município e do comércio tradicional e foi ameaçado de morte. E até teve de sair temporariamente da cidade do Porto. Claro que os super dragões não dormem e Pinto da Costa também não. E as ameaças e a violência são argumentos muito utilizados pelos super dragões e por Pinto da Costa. Mas felizmente que o poder desta gente perigosa e criminosa está a chegar ao fim. Outra pessoa igualmente importante no combate ao imenso poder de Pinto da Costa foi Luís Filipe Scolari, que também teve a sua parte decisiva neste combate, pois acabou com a nefasta influência de Pinto da Costa na selecção nacional.O homem mandava em tudo e agora já não manda em quase nada. E ainda bem, pois homens como Pinto da Costa são nefastos ao futebol português, à cidade do Porto e ao país.Mas apesar disto tudo Pinto da Costa ainda conseguiu assegurar a presença do Futebol Clube do Porto na próxima edição da liga dos campeões, mercê de uma subtileza jurídica que teve a ver com a inexistência de caso julgado na condenação do Porto no foro desportivo português, devido ao recurso de Pinto da Costa para o Conselho de Justiça. Mas isto é apenas uma subtileza jurídica, pois a questão de facto há muito que está esclarecida pelas escutas telefónicas, que comprovam que Pinto da Costa e certos árbitros combinaram alguns resultados.Nesta conformidade, o próprio presidente da UEFA, Michel Platini, já lamentou que o Futebol Clube do Porto tivesse conseguido entrar na próxima edição da liga dos campeões. Mas a verdade é que o Porto vai entrar na próxima edição da liga dos campeões e só foi penalizado a nível nacional com a perda de seis pontos. Esta é uma pena ridícula, mas é actualmente a pena correspondente ao crime de tentativa de corrupção. No entanto, tudo isto vai mudar e já existem propostas no sentido de punir com a pena de descida de divisão o crime de tentativa de corrupção e de punir com o afastamento das ligas profissionais os clubes condenados pelo crime de corrupção. E já agora convém esclarecer que em relação aos árbitros culpados de corrupção passiva nos termos do actual enquadramento legal a pena é a mesma quer se trate de crime consumado quer se trate de mera tentativa.Quanto ao Boavista, o clube axadrezado foi considerado culpado pelo crime de corrupção e foi condenado, nos moldes da legislação actual, à pena de descida de divisão. O seu presidente na época dos factos criminosos, o Dr. João Loureiro, foi condenado a oito anos e suspensão.Com estas decisões, a Federação Portuguesa de Futebol teve a coragem de condenar alguns dos principais mafiosos do futebol português. E nós concordamos inteiramente com estas decisões, pois dirigentes como os dirigentes condenado devem ser banidos o futebol português. O futebol português deve afastar as ovelhas ranhosas e manter no seu seio apenas as pessoas de bem. A Europa exige e Portugal também.

2 Comments:

At novembro 28, 2008, Anonymous Anónimo said...

o Rochinha
nao percebe nada de nada sobre o caso Casa Pia e Apito Dourado.Gosta
de mandar "bitaites".Fale das suas viagens e de cultura.Ok?

 
At março 22, 2009, Anonymous Anónimo said...

Olá amigo: pode também falar um pouco do caso Freeport? Do facto de Filipe Vieira ter sido escutado no Apito Dourado escolhendo árbitros e não ser investigado? Do curioso caso, rapidamente abafado, da Eurominas? Do aeroporto de Macau? Da súbita fortuna de Mesquita Machado? Da duplicação do vencimento de Vara? Bom.... e já agora, você que se tem como alguém que reflecte muito e bem, fique com este bitaite: "Portugal é atrasado por haver tantos benfiquistas ou é por haver tantos benfiquistas que Portugal é um país atrasado?"

 

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